sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Santa Veridiana ou Verdiana

A virgindade consagrada a Deus foi sempre tida em grande honra na igreja, que vê nela um dos grandes sinais de doação a Deus. Renunciar aos atrativos da carne, sublimar os afetos mais caros a uma mulher, como sua vocação à maternidade, é uma opção que somente Cristo conseguiu obter.

Veridiana nasceu em 1182, nos arredores da cidade de Florença. O nome desta santa em Florença é muito conhecido, pois está ligado ao presídio feminino da cidade, que a tomou como protetora, por uma simples razão: por muitos anos, Veridiana foi reclusa voluntária, como penitente e contemplativa.

Era filha de uma família nobre, mas nunca se aproveitou dos seus títulos de nobreza, pensando com São Paulo que dizia: “Mas o que era para mim lucro eu o tive como perda, por amor de Cristo. Mais ainda: tudo eu considero perda, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus meu Senhor” (Fl 3,7-9).

Sua inclinação era para a piedade, a meditação das verdades divinas, e sua ocupação preferida era servir aos pobres. Jovem inteligente foi aceita por um tio, rico comerciante, na qualidade de administradora de seus negócios, que consistiam no comércio de cereais no atacado.

A jovem, porém, tinha um tino administrativo no sentido evangélico, que a levava a dar generosamente aos pobres, a estes pobres que serão os amigos, que nos receberão no Reino de Deus.

Conta-se deste período de sua vida um fato, em parte lendário, mas que define a caridade heróica de Veridiana. Era um ano de grande escassez de víveres. Veridiana, certo dia, distribuiu aos pobres os cereais que o tio se comprometera de vender. O comprador veio buscar a mercadoria paga, mas esta não existia mais! A decepção do tio foi grande, mas, perante as recriminações dele, Veridiana pediu o prazo de um dia para recolocar toda a mercadoria no seu lugar. Ela passou a noite em oração e em práticas de penitência e, na manhã seguinte, o tio encontrou novamente o armazém cheio de cereais. A honra do tio foi salva; o freguês também ficou satisfeito, mas quem mais se alegrou foi Veridiana ao ver seus pobres famintos saciados!

Veridiana, porém, sentia que sua vocação não era a de administradora; experimentava uma grande atração para a vida solitária, de oração, contemplação e penitência. Deixou, então, o tio e empreendeu o caminho laborioso, sacrificado e humilhante dos peregrinos, que era um tanto moda, naquele tempo, para as almas penitentes.

Viajou ao santuário de Santiago, em Compostela, na Espanha. A caminhada foi cheia de peripécias: foi obrigada a viver de esmolas, expor-se a todas as intempéries, andar descalça. Mas tudo aceitou, em espírito de penitência. Depois desta longa viagem, peregrinou aos túmulos dos apóstolos Pedro e Paulo. Seus pés andaram demais, sua constituição física ficou abalada, e de volta à sua terra natal, em Castelfiorentino fechou-se definitivamente numa cela construída ao lado duma capela, dedicada a Santo Antão abade. Lá se entregou, por 34 anos, a uma vida de solidão, de oração e de penitência. Seu alimento era pão e água, que umas piedosas pessoas lhe ofereciam. Sua vida foi uma total consagração a Cristo e aos irmãos a quem ajudou com conselhos e orações.

Faleceu em 1242, e o povo a aclamou e venerou logo como santa, tendo sido construído um belo templo no lugar da cela onde viveu em memória e apelo aos valores espirituais e eternos que ela encarnou.



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